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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Uma mocinha independente chamada PENÉLOPE (Parte Final)


“Quem não se adapta fácil ao conforto e mordomia”?
É com esta pergunta que dou início a ultima parte da historia da Penélope.
Juro que não sei o que veio antes... a integração instantânea da nova vida dela ou a dominação total do território.
Confesso que não foi nada fácil para Crock (o cãozinho que ganhei do meu amor Gabriel) que já morava  dentro de casa com a gente, entender que, alem de dividir o espaço, potes, atenção...  teria que aceitar também o fato, que a “madame” a partir daquele dia, mandaria em  absolutamente tudo.
Brigaram e apesar dele ser maior, depois que apanhou da Pepê algumas vezes, finalmente compreendeu que a chefona agora era ela. O mais estranho disso tudo é a aceitação e o amor incondicional que ele tem, não fica longe dela por nada neste mundo.
Crock é bem barulhento e atrapalhado, mas em uma coisa estava sempre de parabéns: nunca fazia as necessidades fisiológicas dentro de casa... chorava na porta, esperando alguém colocar a guia e levar ele pra fora (nunca podia ir sozinho, porque se fugia, era uma loucura para pegar ele de novo) mas apesar de Penélope ir junto, raramente fazia lá fora, esperava entrar para sentir vontade... e nem xingar a danada a gente podia, porque se alguém falasse um pouco alto com ela, aonde estava, abaixava a orelhinhas e fazia xixi... é assim ate hoje, se não quiser secar pocinhas amarelas, não demonstre qualquer tipo de descontentamento, independente do que ela faça!
Os meses iam passando e ela apesar de ter aprendido a brincar com o Crock, nunca suportou o jeitão maluco dele se divertir e quando acha que ele está  “se passando”, seus olhinhos que são meio verdinhos, vão escurecendo rapidamente e pula de voadora nele, rosna tanto que o coitadinho murcha e para de brincar. Às vezes quando ela esta muito brava chega a fazer uns sons muito estranhos e aterrorizantes bem perto da orelha dele (parece o filme do exorcista)... “quiçá” as ameaças caninas que o coitadinho não ouve nessas horas.
Sabemos que é bullying que ela faz, mas já tentamos de tudo e não tem jeito... a brincadeira vai sempre ate aonde ela deixa ir...
Um belo dia, minha filha Nicole, resolveu pintar as unhas da Pepê de rosa néon e bem neste dia resolvemos aplicar a vacina de anti- cio (estávamos sem condições financeiras de levar castrar) só que ela era alérgica e a gente não sabia. Ligamos apavorados pro veterinário, ele não estava, então saímos como loucos, levar ela ate um conhecido do meu marido que é veterinário de gado.
Quando chegamos lá dava ate medo de olhar pra ela, toda cheia de pelotas, estressada e com aquelas unhas pink. Ele instruiu a gente a dar antialérgico e em questão de pouco tempo, ela estava ótima de novo.
Estávamos todos tão ocupados, eu sempre trabalhando muito na escola e o Gabriel dividido entre o trabalho e a construção da nossa casa (ao lado da casa da minha mãe) que quando percebemos, a Penélope estava no cio novamente.
Apesar de tudo que fizemos pra evitar, foi justamente na Páscoa, quando saímos todos de casa, que o Crock arrebentou a tranca do quartinho, onde ela estava presa. Algum tempo depois nasceram: Chamby, Benny e Melory, três doidinhos lindos, que apesar de serem aparentemente iguais ao pai são geniosos como a mãe.
Era tanto amor que não conseguimos pensar em dar eles e nunca os colocamos  para a adoção... estão com a gente ate hoje.
Quando a lavanderia da nossa casa ficou pronta, os bebezinhos já estavam desmamados, então os trouxemos pra morar nela, ate meu marido fazer o canil.
Dentro de casa estava uma loucura com todos eles, minha mãe brigava comigo todos os dias por isso... ainda mais que o Crock nunca gostou dos bebes, acho que toda sua  paciência, ele guarda só para sua amada.
Depois de mais de um ano e meio, finalmente nossa casa ficou pronta e para alegria principalmente da minha mãe, nos mudamos.
Foi feito cerca ao redor, mas mesmo assim Crock e Penélope continuam dentro de casa com a gente, podem entrar e sair à hora que quiserem, aproveitando toda uma liberdade que antes nem sonhavam.
Ela finalmente foi castrada o que é uma preocupação enorme a menos.
Penélope dorme com minha filha e o Crock com a gente, ela tem livre acesso ao nosso quarto, mas o Crock só pode entrar no dela quando ela permite... ficamos tristes por ele se deixar mandar desse jeito, mas não conseguimos brigar com ela nem mudar seu comportamento...
Sei que mesmo sem querer, alimentamos este gênio terrível dela e ajudamos a transforma- la numa monstrinha, que se irrita muito fácil e avança, principalmente quando alguém faz qualquer movimento com as mãos próximo a ela, senta no sofá muito perto quando esta dormindo, mexe em qualquer coberta ou lençol que ela esta em cima, paparica o Crock, atrapalha sua atenção na caça as pulguinhas, na maioria das vezes imagináveis (esta é sua maior paranóia) e ate de falar com ela docemente... mas a amamos tanto que nos acostumamos e a aceitamos exatamente assim: rabugenta, estressada, metidinha e muito mal- humorada.
Meu marido Gabriel, fez aos poucos, ao lado da casa, um canil com divisões, um espaço com gramado e ate parquinho. Ali ficam os três filhotes deles e os animais abandonados que recolhemos das ruas.
É um espaço todo coloridinho para eles brincarem, enquanto vivem  tranquilos e felizes aguardando a adoção, (nosso lar é uma casa- de- passagem).
E assim segue a vida da Penélope e da minha família, que é composta por mim, meu marido Gabriel, minha filha Nicole, Crock e rodeados no momento, por mais vinte e um cães, quatro gatas e seis galinhas de estimação.
E mesmo que muitas pessoas não nos compreendam, eu posso garantir a vocês, que é deste jeitinho, com latidos, lambidinhas, cacarejadas e miadinhos, que nós somos imensamente muito, mas muito felizes.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uma mocinha independente chamada PENÉLOPE (Parte III)


A vida da Dona Penélope, era cada vez mais intensa e repleta de aventuras... se ela pudesse falar, aposto que quando perguntassem o que mais gostava de fazer, responderia: “Eu gosto de viver perigosamente...”
Mas esta vida de boêmia, estava nos dando muita dor de cabeça...
Ela sempre foi valente, corajosa, uma verdadeira guerreira, eu sempre admirei muito isso nela (até hoje não se deu conta do seu tamanho) mas comecei a ficar imensamente preocupada, com a maneira que a bonita se achava indestrutível... deu para enfrentar carros e motos, com o passar dos dias, se achou machona o suficiente pra encarar de frente até caminhões... céus, quantas ameaças de infarto tive ao presenciar estas cenas absurdas que ela fazia... nem sei dizer as vezes que nascemos de novo, ela por sair ilesa debaixo dos carros e eu por ver que meu coração, tinha suportado mais aquele susto.
Na época eu não tinha canil e na corrente ela dava um jeito de se soltar e fugir, já não sabia mais o que fazer... não aparecia uma alma boa para adota- la e dentro de casa minha mãe não deixava eu levar (na época morava com minha mãe e já tinha o CROCK que roía todos os móveis dela).
Com seu gênio de teimosa e mandona do jeito que era (e ainda é), não fazia amizade com outros cães, atropelava qualquer animal que passasse perto de nossa casa. Ruava tanto, que tempos depois fiquei sabendo de uma mulher que alimentou ela algumas vezes, achando que era abandonada... eita!
Apesar de Pepê não ser muito simpática, fez uma amizade inusitada... ficou amicíssima do PINTADO, um cavalo maravilhoso, branco com umas manchas pretas que parecem pinceladas de tinta, que meu vizinho tem. Era sagrado todos os dias ela ir ver ele... imaginem numa cena linda: Ela chegava correndo e latindo, ele mesmo longe no potreiro respondia relinchando, vinha a galope encontrar sua amiguinha e juntos brincavam um tempão de pega- pega... fizemos até uma filmagem caseira deles juntos ... é emocionante assistir!
Mas nem sempre suas peraltices eram tão fofinhas assim... eu não descobri até hoje da onde a “sem- capricho” desenterrava carcaças enormes de peixes e trazia pra casa e o pior... comia... céus, não sou nojenta, mas ter que tirar aquilo dela (que ficava furiosa e me arreganhava até os dentes do siso), fazia quase com que eu me destripasse chamando o hugo... credo... que cheiro horrível de carniça... ela, depois de muito correr atrás, ia direto pro banho... imaginem que isso acontecia na média de duas vezes por semana e sempre sobrava pra mim... me dava até “um- ruim” quando ouvia alguém gritar... “Mônica vai lá fora que a Penélope tá com carniça de peixe de novo...”
Neste período apareceu em baixo do focinho dela uma verruguinha, mas em questão de dias ficou enorme... eu estava esperando o final do mês pra receber e levar ela num veterinário pra retirar, mas nem precisou, porque numa de suas fugidas, voltou pra casa sem a dita cuja... sabe lá onde foi parar a coitada da verrugona que deve ter sido extraviada até com a raiz... porque pra meu alívio e sua beleza (parecia uma bruxa com ela) nunca mais nasceu.
Foram muitos meses assim, eu não tinha sossego pra dormir, nunca sabia se encontraria ela viva pela manhã. Pra eu e a Nicole irmos ao colégio, era preciso que minha mãe ficasse cuidando para ela não vir atrás e esse ritual era três vezes por dia (na época eu trabalhava os três períodos na escola).
Mas para minha alegria e sorte da Penélope, ela perdeu o medo da minha mãe e começou a seguir ela também... poderia até não ir junto (ainda tinha um pouco de respeito pela D. Muri), mas depois de um tempo que minha mãe tinha chegado no mercado, banco ou loja... lá aparecia ela toda faceira, pois seu faro não tinha errada, tinha encontrado a minha mãe... e eu que escutava... “Mônica, ache casa logo pra essa cachorra que não quero saber dela me seguindo por aí... entra em tudo que é lugar atrás de mim... farejando dentro dos mercados, era só o que me faltava...”
Demorou, mas finalmente (e quase infelizmente, pois ela podia ter morrido) um fato aconteceu e mudou o destino da vida da Penélope.
Eu tinha convidado a minha mãe pra ir comigo comprar ração pra eles numa agropecuária, quando saímos nos certificamos que ela não estava seguindo a gente e fomos distraídas conversando... quando chegamos perto da agropecuária que fica em uma rua muito movimentada, ouvi a moça de uma loja gritar... ”Que linda! É de vocês?”... quando olhamos para trás, lá estava a Penélope toda fingida, no meio do asfalto, nos seguindo, nesse momento veio três carros, dois descendo e um subindo... eu gritei e fechei os olhos... tinha medo de olhar pois sabia que desta vez ela seria esmagada pelos carros... para meu alívio minha mãe gritou: “Senhor, ela escapou dessa...” chorando, corri pega- la (não sei como, porque minhas pernas tremiam muito), agarrei ela com tanta força que quase a sufoquei... “Bruxinha, quer mesmo matar a mamãe de susto né?”
Até a minha mãe ficou pálida, um pouco pelo susto do grito que dei e também por ver do que a Pepê tinha escapado...
Entramos pra comprar a ração, mas eu estava ainda chorando e tão atordoada que juro, nem sabia mais o que eu tinha ido fazer lá...
Vindo embora (minha mãe carregando a ração e eu agarrada na Pepê igual a carrapato), ouvi da minha mãe algo que nunca imaginei... “Mônica, quando a gente chegar, dê um banho nesta cadela e deixe dentro de casa, porque não quero ter que fazer dois enterros... o dela e o teu, se ela for atropelada...”
Céus... meu coração parecia que ia explodir de alegria, tinha vontade de abraçar e beijar como louca  minha mãe, ali mesmo no meio da rua, mas ela tava com uma cara tão feia que achei melhor só agradecer baixinho...
Penélope finalmente ia ter um lar de verdade, confortável, seguro e o melhor pertinho da gente... e do CROCK, que a partir daquele dia passou a ser seu grande amor e o início de outra linda história, desta cadelinha amadamente geniosa... aguardem!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma mocinha independente chamada PENÉLOPE (Parte II)



Eu e minha filha Nicole acompanhamos, muito emocionadas, o nascimento do primeiro bebezinho de Penélope, depois nos afastamos pra deixar ela a sós e sossegada, pra realizar esta tarefa, tão lindamente dolorida que é o de ser mãe.
Na manhã seguinte, encontramos Pepe com um olhar cansado, mas atento a qualquer movimento, que pudesse parecer uma ameaça aos seus filhotes...
Eram quatro lindos cãezinhos, pretinhos com manchas marrons...
Céus, eu não via a hora de poder pegar um pouquinho eles, ela querida, não saia da casinha nem pra comer, então com muito cuidado me aproximava, oferecia comida na sua boquinha e ela comia tudo com muito gosto. Por este motivo, eu era a única que podia me aproximar de sua casinha, sem ela ameaçar morder.
Passado alguns dias, ela me deixou pega-los pela primeira vez... não esqueço minha emoção, o calorzinho daqueles corpinhos tão pequenos e frágeis, o cheirinho de leitinho, bafinho de filhote... quanto amor meu coração sente em momentos tão especiais como aquele.
Penélope, até esta etapa da vida de seus bebes, era uma mãe zelosa e não saia de perto deles.
Quando dei por mim, eles já estavam de olhinhos abertos e sempre que eu me aproximava da casinha, ouvia bem baixinho latidinhos e rosnadinhas... eu podia ficar horas, admirando os passinhos cambaleantes, as mamadas intercaladas por sonequinhas deliciosas.
Na escola, eu anunciei o nascimento deles e vários alunos queriam adota- los, então tive tempo de ir escolhendo, quem eu queria que adotasse meus pequeninhos.
Logo tivemos que muda- los de lugar, porque queriam correr pra todos os lados, na época eu morava com minha mãe e o lote é aberto, seria um perigo irem para a rua, então o Gabriel levou a casinha perto do paiol e fez um cercadinho de tabuas ao redor.
Todo dia era a mesma coisa, antes de eu e a Nicole irmos pra escola de manhã, eu levava eles pra dentro de casa e dava leitinho e pão, ao meio dia e a noite também, pois a Penélope já não estava mais querendo amamenta-los, sem contar que as tetinhas dela estavam cheias de mordidinhas... tadinha.
Os meus dias eram tão corridos que quando percebi, eles já estavam desmamados, malandrinhos e muito espertos, não paravam mais no cercadinho e minha mãe e a Nicole, já não davam mais conta de cuidar para que não fugissem de lá e fossem perto dos cães maiores, que na época estavam comigo, também a espera de alguém que os adotasse... e com um aperto no coração, vi que era chegada a hora de entregar meus pequeninhos  pra adoção.
Me enrolei ainda uma semana, mas sabia que a situação estava cada vez mais complicada.
Eu e a Nicole, aproveitamos cada minutinho, quando podíamos estar com eles, muitas fotos, vídeos e muitas gargalhadas vendo as travessuras que aprontavam.
Eram muito amadinhos e tinha um, o mais pequeninho deles que nasceu pitoquinho, era uma gracinha.
Enquanto isso a senhorita Penélope, que aprendeu a se soltar, “corria as tranças por aí”... o que não era nada bom, porque infelizmente podia ser  atropelada ou envenenada!
Nada do que tentávamos para impedir suas fugidas adiantava... trocamos de coleira, mas sua cabecinha e seu pescoço são quase do mesmo tamanho e era só ela dar umas puxadas que já estava livre...
Colocamos então um peitoral, todo bonitinho, por uns dias funcionou (o que deixou ela muito mal humorada), mas logo a malandrinha encontrou uma maneira de se livrar dele também... a cena era  curiosa e engraçada, ela ia até onde a corrente deixava, então se virava de frente pra corrente e ia se remexendo, igual as contorcionistas que aparecem na TV e ia tirando uma patinha do peitoral, outra e pra minha tristeza, lá estava ela se sacudindo faceira, livre novamente... e surda... sim, porque era só botar a patinha na rua que parecia não ouvir mais a gente desesperado gritando: “Penélope volta aqui...” e pensa que voltava? Só quando já estava cansada e com fome aparecia...
Morríamos de preocupação e não sossegávamos até a danadinha voltar...
Seus bebezinhos, já nem sentiam mais tanto a falta dela, quem estava sofrendo há semanas era eu e a Nicole, pensando em como suportar a ausência deles, sem chorar.
Depois de muito pensar, decidi qual daria pra quem... os escolhidos foram: duas alunas minhas, uma professora que na época trabalhava na mesma escola que eu e uma mocinha muito querida que cuidava da sala de computação do colégio.
Na ultima noite com os fofinhos em nossa casa, eu e a Nicole ficamos um tempão com eles e registramos cada momento, desejando a eles toda sorte e amor do mundo.
Levamos eles pra dormirem, sabendo que este ritual de “pega, da comidinha, carinho, beijinhos, risadas, colinho... e leva de volta pra casinha”, era a ultima vez que faríamos... choramos uma abraçada na outra.
E a dona Penélope aquelas alturas da noite onde estava? Vai saber...
No dia seguinte a Nicole foi pra escola e eu fiquei em casa, porque era minha manhã de folga, então tive tempo de alimenta- los e me despedir demoradamente de cada um.
Me doeu tanto ter que por eles na caixinha e levar até a escola, que ainda hoje lembro nitidamente daquela manhã fria, o barulho de meus passos e o pior, os olhinhos deles a fitar profundamente nos meus... céus eu juro, eles sabiam de tudo que estava acontecendo, podia perceber a certeza que eles sentiam da despedia, que talvez nunca mais nos encontraríamos... assim foi até chegarmos na escola.
Não queria chorar, mas não pude evitar, entreguei cada um deles com a promessa que, se não os quisessem  mais ou eles não se adaptassem seriam devolvidos a mim, mas infelizmente mesmo eu implorando por isso, uma de minhas alunas e a professora acabaram, tempos depois dando eles a outras pessoas, o que me deixou muito triste.
Não faz muito tempo, de um deles tive notícias, o que ficou com minha outra aluna, ela até me mandou foto... está adulto, faceiro, lindão e com cara de quem manda no pedaço, que emoção ao ver aquela fotografia.
A Pepe ficou por uns dias procurando por eles, não viu quando levei- os embora (estava “ruando” pra variar) mas logo parecia ter esquecido, pois ela tinha coisas mais interessantes pra fazer... descobrir o tamanho da cidade, cada canto, quintal ou rua minuciosamente  explorados, afinal na cabecinha dela, tinha um monte de lugares pra visitar e muitas coisas ainda a aprontar...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma mocinha independente chamada PENÉLOPE (Parte I)

Srta. Penélope! Quem a vê hoje, morando dentro de casa com a gente e o Crock (seu grande amor), geniosa e cheia de mordomias, imagina que ficou assim, por ter sido muito amada e mimada... mas a realidade é outra...
Em pleno inverno de 2008 foi abandonada no centro de Iomerê, (provavelmente por algum infeliz desclassificado) assustada se mostrou até um tanto quanto “devota”, pois pedia socorro tentando se proteger na sala de catequese.
Como era de se esperar, não a deixaram ficar, ela então tristinha, foi se esconder atrás da Igreja.
Acabada a catequese, alguns alunos vieram até minha casa me falar desta pequena cadelinha.
Eu por sorte estava em casa, era minha folga no colégio.
Subi para ver se a encontrava e vi uma cena muito linda... na praça, havia outros alunos meus (fazendo aula de educação física e aproveitando um pouco do sol), ela estava sendo paparicada por várias crianças, todos com peninha daquela fofinha que tremia muito de frio!
Quando me aproximei, gritaram: Profe, olha que linda, coitadinha e não tem dono...”
Olhei pra ela que não parava de tremer, assim que peguei no colo, me olhou nos olhos e deu uma “engolidinha seca” (acho graça porque, até hoje ela faz isso...)
Agradeci as crianças pelo carinho que deram a ela e voltei pra casa.
Na estrada vinha conversando com ela... “então mocinha, preciso dar um banhão em você que está bem sujinha, ver comidinha e um cantinho quentinho, até acharmos alguém que a adote... e rezar pra que minha mãe não brigue comigo por estar levando mais uma”... (naquela mesma manhã já havia recolhido um, o Duque, dias depois descobri que tinha dono, contarei a historia dele outro dia).
Improvisei uma caixa de papelão e panos, comidinha e a prendi embaixo da mesa na garagem.
Quando minha mãe chegou do mercado, eu pra evitar um confronto com ela, disse que já tinha até achado casa pra ela, mas viriam buscar só semana que vem... sei que é feio o que eu fiz, mas era só pra minha vida ficar mais fácil. Em uma semana, se tudo desse certo acharia casa pra ela e tudo ficaria bem de novo, sem tanta brigas e discussões.
Mesmo assim ouvi... ”tem gente pensando que minha casa agora é hotel pra cachorro ficar hospedado, se querem adotar que venham ainda hoje pegar esta cadela e não fique aí me olhando sem falar nada...” eita, mas falar o que mãe?
Minha filha Nicole amou termos encontrado ela, achou muito lindinha, por ela teríamos adotado na hora, pena que não podia ser assim!
Durante a semana, até consegui alguém interessado, era uma senhora, mas havia ficado doente e estava passando uns dias na casa de sua filha e só queria a cadelinha quando melhorasse e voltasse pra sua casa e isso ia demorar uns dias.
Passou quase três semanas, quando notamos que sua barriguinha começava a crescer, logo vi que estava grávida.
A senhora então quando soube, não quis mais adotá -la, (o que até foi bom, porque geniosa do jeito que a Penélope é chegamos a conclusão que nunca mais a senhora ia poder sentar no sofá... porque quando a “madame” esta deitada e alguém se aproxima ela rosna mesmo, deixando bem claro que o sofá inteiro é dela... danadinha!)
Resolvi então, que ficaríamos com a fofinha até os bebes nascerem e sobre pressão da minha mãe aceitei que, assim que eles fossem adotados eu voltaria a achar casa pra ela.
Minha mãe a essas alturas, apesar das brigas, estava mais conformada que teríamos filhotes em casa e foi ela que a batizou de Penélope, a Charmosa!
Pepe (para os íntimos) continuava a ficar numa caixa improvisada, até que consegui com um aluno, uma casinha velha e meu marido Gabriel (que na época era meu namorado) reformou e pintou.
Pense na alegria dela quando viu a casinha, toda arrumadinha, nem deixou a gente ajeitar o local direito, já estava dentro e é claro, rosnado desconfiada que tirassem ela de lá... querida, ela sabia que a hora de ter os filhotes se aproximava e queria um lugar confortável e seguro, tadinha!
Sua barriguinha estava cada dia maior e ela até então, nem tentava fugir, passava o dia deitada na casinha, dormindo sossegada, tendo todo o carinho e cuidados que precisava.
Eu e a Nicole estávamos cada dia mais felizes e ansiosas com a chegada dos filhotinhos e nas ultimas semanas não falávamos em outra coisa... e foi numa linda noite de uma sexta- feira, que suas contrações começaram... vida nova anunciando a chegada... e outra historia a contar!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

SKIPPER e o mistério do portão (Parte Final)



Eram umas seis e meia da manhã, do dia 20 de março de 2012, quando estranhei os cães estarem latindo muito, levantei as pressas pra ver o motivo de tanto escândalo e encontrei um cão, porte médio, aparentemente bem cuidado, desesperado, amarrado no que resta de um portão, nos fundos da casa da minha mãe (que fica do lado da minha).
Me aproximei e ele pulava muito, querendo que eu o soltasse logo, nisso minha mãe, ouvindo a algazarra abriu a janela do quarto e no instante em que a vi, já deduzi que seu humor não estava dos melhores... “Não acredito que amarraram um cachorro aí... pode soltar e ele que volte pra casa dele, não chega os que tem aqui e a confusão que o vizinho arranjou por causa deles?”
“Mas mãe... se amarraram aqui é porque não querem mais ele de volta e...”
“Não quero nem saber... pode soltar ele, mas tão achando que minha casa é depósito de cachorro e... ”
Céus, o dia ia ser tenso mesmo... e não sei porque, acabei deixando me levar pela conversa de “jerico” da mãe e por impulso soltei ele...  um segundo depois já estava arrependida, imagina, soltar ele sem saber se era bravo ou não... eita, que burra eu fui!
Assim que ele saiu correndo todo faceiro, eu fui atrás que nem louca pra pegar ele de volta, já pensou se ele resolve arranjar briga, com o querido do Gubi (o cão mais velhinho da nossa casa, idoso mesmo, já esta com quase quatorze anos).
O cão saiu fazendo xixi nos canteiros e eu atrás chamando, tentando me aproximar, mas ele sempre correndo e muito desconfiado, dava umas olhadinhas pra mim e fugia novamente!
Quando consegui me aproximar e pegar ele, eu já estava com os “bofes pra fora” e precisei sentar num canteiro pra descansar e recuperar o fôlego.
Aproveitei pra fazer carinho nele e ganhar sua confiança, pra levar ele de volta pra casa e amarra-lo novamente!
Mas logo vi que era um amorzinho, peguei-o no colo e voltei pra casa.
Minha mãe ainda estava na janela e quando me viu com ele no colo resmungou algo que não entendi e fechou a janela com força... ai céus... 
Nessas horas odeio mais ainda os desgraçados que abandonam seus cães... custava pedir se eu podia ficar com ele? Mas isso é típico de gente infeliz que ta pouco se importando com os bichos, comigo ou com o que quer que seja!
Amarrei em baixo do pé de limão, pertinho do pé de jasmim onde fica o Black de dia e comecei a divulgar sua foto e história nos sites de relacionamento pra encontrar um bom lar pra ele.
Mas logo percebei que ele não estava bem, alem de ter algo estranho num dos olhinhos, começou a ter diarréia com sangue.
Liguei pro Gabi, mas infelizmente naquela horário ele não poderia vir, pedi ajuda então pra minha amiga que vende jóias. Ela veio ate minha casa e levamos o fofinho no meu veterinário de confiança, na cidade de Videira... tadinho, acabou ficando internado!
Estava com infecção gastrintestinal, provavelmente comeu porcarias por aí e seu olho é uma carne que cresce, disse o veterinário que é bem comum em cães, mandou que usássemos um colírio, que se continuasse a crescer, era preciso operar.
Dois dias depois teve alta, eu e o Gabi fomos buscar, quando viu a gente fez a maior festa e no carro vinha faceirinho, olhando pela janela...
Amarramos de volta no pé de limão, caso chovesse, poderia se abrigar embaixo da casa da minha mãe, até arrumarmos uma casinha pra ele.
A noite, como de costume colocávamos o Black dormir nos paninhos na garagem, mas quem disse que o  Skipper (nome sugerido por uma amiga muito querida) aceitou? Chorou a noite toda querendo o Black de volta.
No final de semana, o Gabi fechou mais uma baia do nosso canil (que esta em fase de construção) e trouxemos a Teca com seus cinco lindos filhotinhos (contarei a historia dela em outra ocasião).
O Gabi tinha feito mais duas casinhas para o canil, uma eu pintei com corações e trouxemos a Lobinha. Ela estava amarrada numa casinha que fica na parte de trás do lote da minha mãe. 
E a outra casinha com borboletas pra Teca com sua ninhada. 
Aí sobrou uma casinha pequena, que estava provisória no canil pra ZUZU e ANGEL (que já foram adotadas) e colocamos ao lado do pé de jasmim para o Black, que se “obrigou “ a ficar lá fazendo companhia pro chorão do Skipper... este por sua vez continuou no pé de limão, mas ganhou a casinha da Teca, de quando  ela  ficava amarrada no lote de trás... UFA que trabalheira...
Os dias, semanas e meses foram passando e Skipper numa boa com a gente, a espera de adoção. É um cão muito fofo e meiguinho, as vezes escapava, mas quando isso acontecia os outros cães latiam avisando e a gente, já ia atrás amarrar ele de novo. Estava cada dia mais amigo do Black, que ate aprendeu a ficar dentro da casinha (antes ele não entrava em uma de jeito nenhum...)
Num domingo ele fugiu e sumiu, passei horas procurando ele e nem sinal... até o Gabi falou brincando... ”Vai ver ele voltou pra sua casa...”
A noite ouvi os cães latindo abri a janela e vi ele em frente a casa da minha mãe. Fui la fora, quando me viu veio correndo no meu colo, ele é porte médio e muito forte, mas tem um jeitão de bebezão ainda... um amorzinho mesmo!
Amarrei, levei ração e água fresca, brinquei com ele e com ciumentinho do Black e entrei feliz... afinal o fofinho estava de volta!
Passado mais uns dias, já era escuro, minha mãe me chama. Quando saí la fora vi ela, uma mulher que mora na entrada de Iomerê e sua linda netinha, que deve ter uns cinco aninhos. 
Minha mãe disse: “Mônica, você nem imagina o que esta menina bonita quer...”
Me abaixei e peguei ela no colo (ela me lembra muito a minha Nicole quando era pequena) e falei: “O que será que esta princesa quer”?
Ela, com uma voz doce, falou: “Você me dá o meu Trovão"?
Sabe quando a gente fica perdida, sem entender mesmo o que alguém falou? Foi exatamente assim que fiquei...
Minha mãe então diz... “Mônica, acredita que o Skipper é dela"?
Sua avó então me explicou: “Minha netinha ganhou este cão, faz uns dois anos e a uns meses atras ele sumiu, procuramos mas não o encontramos, então achamos que alguém tinha matado ele, ate que domingo passado, ele do nada apareceu, minha netinha ficou muito feliz, mas a noite ele sumiu novamente... e hoje passando em frente da casa da tua mãe, ela gritou: "Vó olhe... é o meu Trovão...”
Contei para ela, que o encontramos amarrado no portão da casa da minha mãe, que estava doente e precisou ate ser internado. Deduzimos então, que quando ele fugiu da casa delas, se perdeu por aí e por ser muito queridinho, deve ter se “abancado” na casa de alguém, que por não conseguir mais “se livrar” dele resolveu amarra- lo no portão, porque sabiam que eu iria cuidar... eita... que loucura...
Mas é claro, são só suposições, na verdade, o que temos certeza é que ele sumiu da casa dela e apareceu na minha... o que aconteceu neste meio tempo, vai saber...
Mas o surpreendente disso tudo foi, quando perguntei, aonde conseguiram aquele cão tão querido e ela me disse o nome da mulher... céus... que loucura, aquele fofo, que pra nós era o SKIPPER, pra elas era o TROVÃO, na verdade era o DENGO!
Finalmente eu tinha descoberto o paradeiro do amado Denguinho, ele realmente tinha sido adotado e por sorte por uma família boa, com uma menininha linda que gostava muito dele...
Fui buscar ele emocionada, ainda não acreditava, eu estava com aquele fofinho que a uns anos atras, tinha me deixado tão apaixonada e preocupada!
Enquanto via ele faceiro, com sua família, sumindo pela rua, fiquei pensando em como a vida se mostra, todo novo dia, seja com grandes feitos ou pequenos detalhes, não importa, surpreendente sempre... infinitamente!

SKIPPER e o mistério do portão (Parte I)


Quem um dia escreveu que “a vida é uma caixinha de surpresas”, só pode ter sido surpreendido por uma situação tão inusitada, quanto a que eu vivi com o Skipper!
Mais ou menos, há uns dois anos atrás, uma mulher veio ate minha casa com um filhote, muito bonito e querido.
Disse ter trazido ele, da sua cunhada que mora no litoral, que era um amor e falou as intermináveis qualidades dele.
É sempre assim, quando alguém quer se desfazer de um animalzinho, conta como se ele fosse algo muito precioso, mas no fundo, infelizmente a pessoa fala da boca pra fora, pois apesar das qualidades serem verdadeiras, não reconhece se quer um dos elogios que faz ao pobrezinho.
Enfim que, apesar dele ser tudo aquilo, não o queria mais...
Fiz então a triste e inevitável pergunta: “Mas por que você não quer mais este cãozinho lindo”?
Juro por tudo que há de mais sagrado, neste mundo tão sem amor aos animais... independente da resposta que ouço, seja ela inteligente, seca, curta ou grossa, pra mim são sempre respostas insensíveis, vagas e desumanas... NÃO COMPREENDO MESMO o que leva um ser humano depois que compra ou adota um animal, convive com ele, seja por anos, meses ou alguns dias, o vê  brincando, correndo, dormindo, pedindo e dando carinho e ainda assim consegue se desfazer  dele... céus, cadê aquilo que se chama APEGO? Como pode alguém nascer sem?... eita!
Enfim, resumindo a “desculpa” dela é que ele começou a fazer as “bobeirinhas” que todo cãozinho novo faz e seu marido não queira mais ele... tadinho!
Ele era muito amado mesmo, adorava colinho e seu nome lhe fazia jus, pois era por DENGO que atendia.
Como era filhote, bonito e saudável seria fácil achar um novo dono, mas infelizmente minha mãe estava em casa naquele dia e secamente falou: “Mônica, a casa já ta cheia de cães, nem pense em pegar mais esse aí...”
Ô céus, nestas horas nem adianta eu querer explicar pra ela, que tinha medo que o extraviassem por aí se não ficasse com ele... me restou falar com uma dor no coração... “Olha, infelizmente não posso ficar com o cãozinho, mas vou tirar umas fotos e colocar no site que uso pra divulgar adoção, quem sabe aparece logo um dono pra ele...”
Tirei as fotos e me apaixonei ainda mais por aquele fofinho, que ficava bem quietinho e ainda fazia pose!
Antes dela sair, fiz o meu tão decorado discurso sobre: cuidar bem dele, procurar alguém confiável pra dar e por hipótese alguma, cogitar o fato de estravia -lo por aí...
Quando ela foi embora, eu e minha mãe acabamos discutindo... “Mônica, eu não acredito que se eu não estivesse aqui, você iria ficar com mais um, eles que pegaram, que se virem achar casa agora...”
Nem fiquei pra escutar o resto, fui bem triste e preocupada com ele, postar as fotos divulgando a adoção.
Os dias iam passando e apesar de lindo e fofinho, infelizmente ninguém tinha se interessado em deixar recadinho, querendo adota- lo.
Tempos depois, encontro a mulher saindo da farmácia, estava chovendo, pedi do Dengo e ela apressadamente me respondeu: “Ele foi adotado!”... e saiu correndo até o carro pra não se molhar, droga nem deu tempo de pedir pra quem...
Quando cheguei em casa, entrei no site de relacionamento e com um aperto no coração, mudei a foto do Dengo que estava no álbum de “ADOÇÃO” para “ADOTADOS”...
Mas dentro de mim o “bichinho da dúvida” me mordia... será mesmo que ele foi adotado? E se foi, quem estaria naquele instante, tendo o prazer de desfrutar da doce companhia de Denguinho?
Engraçado, não importa quanto tempo passe, independente do fato de eu ter ou não fotos destes animais que passam pela minha vida, não esqueço NUNCA de nenhum deles, seus olhinhos, cor do pêlo, suas personalidades ficam tão gravadas em mim, que guardo o “encontro” com cada um deles com muito carinho e respeito em meu coração!
E com Dengo também foi assim... mesmo que por minutos, bastou para eu constantemente pensar nele.
Somente anos depois, esta dúvida chegaria ao fim... e para saber o que aconteceu de fato a este amadinho, é preciso ler a continuação desta história!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

MIMÃO e a cama de gatos (Parte Final)


Chuva e sol... foi nesta ordem que nasceram os filhotinhos de Preta, Griza e Mimão!
Em uma manhã chuvosa, acordei e somente Griza (com um barrigão enorme) e Mimão estavam perto da porta de casa, fui correndo até o paiol e vi eufórica, que Preta tinha ganhado durante a noite muitos gatinhos. Cheguei de mansinho pra não assustar... céus, que pequenos e lindinhos, uns mamavam e outros dormiam. Ela, quando passei a mão em sua cabeça, fechou os olhinhos e deu uma miada fraquinha. Comecei a contar um, dois... seis gatinhos ao todo, nem acreditava, isso sim dava pra chamar de ninhada!
Peguei com cuidado um no colo, eram miudinho e ainda tinha o umbiguinho, começou a miar parecendo um chorinho, o devolvi logo pra Preta que já me olhou preocupada.
Os bebes de Griza, nasceram dois dias depois, em uma linda manhã de sol, quando percebi que ela não estava lá fora, corri no paiol e na caixa do ladinho de Preta, tava Griza com sua ninhada... qual não foi minha surpresa ao contar seis gatinhos também, eu e minha mãe quase enfartamos, eu de felicidade, ela de susto, quando cheguei na cozinha gritando feliz que Griza também tinha seis filhotes, imagine, até um tempo atrás não tínhamos nenhum, aí veio um, três e agora eram quinze gatos ao todo...
Nem preciso contar que eu “acordava- gatos”, almoçava- gatos”, dormia- gatos”... esse era meu assunto e o tempo que não estava na escola, era com eles que eu ficava!
Minha mãe reclamava com meu pai: “Ângelo faça alguma coisa, ela não faz mais nada, não larga daqueles gatos, vai acabar até “pestiando” os coitados de tanto segurar no colo...” eita, que mito mais estranho, imagina se meu amor e carinho iriam fazer mal aos meus anjinhos!
Tem coisa mais fofa que gatinhos crescendo felizes? Eu me perdia nas horas, vendo eles brincarem, correndo atrás uns dos outros, pendurados em minhas roupas, no meu colo, que dias mais felizes aqueles!
Mas mal sabia eu que meus dias de alegria estariam no fim...
Eis que certo dia eu fiquei doentinha, com febre, dor de cabeça e pra minha alegria ouvi minha mãe dizer: “Filha, é melhor você nem ir à escola hoje”!
No meio da tarde, eu morta de vontade de brincar com minha família felina, mas minha mãe não deixava,  dizia ela: “Não vai lá fora nesse sol, você ta doente, fica brincando com tuas bonecas na cama”.
Ô tristeza!
Passou uma meia hora, disse minha mãe: “Mônica, fica bem querida aí com tuas bonecas que a mãe já vem,  vou na vizinha e não demoro”!
Assim que ela saiu, eu abri a porta correndo e fui ver minhas “gataiadas”, mas lá fora no sol, minha cabeça doía muito, então tive a infeliz idéia de levar os quinze gatos pra minha cama, mesmo sabendo que na época, isso era expressamente proibido em minha casa.
Eles amaram se esparramar na minha cama, brincavam, pulavam pareciam uns cabritinhos, Mimão se aconchegou no meu travesseiro e dormiu, aos poucos os filhotes foram se acalmando e se aninhando cada um com sua mãezinha e dormiram grudadinhos nas tetinhas delas, eu me ajeitei no meio deles e deitei pra admira-los e pro meu azar e desgraça dos coitadinhos ...adormeci...
Acordei com minha mãe gritando e o chinelo "cantando" na bunda de todo mundo, céus, era só gato voando pra todos os lados tentando fugir, minha mãe estava muito brava, em três pulos eu tava lá fora e só depois que me certifiquei que todos os quinze estavam bem, sentei na escada e chorei!
Lá dentro ouvia minha mãe dizer que ia achar um lugar praqueles gatos, que não queria mais eles lá em casa de jeito nenhum... desesperada percebi que desta vez a coisa era séria mesmo, eu sentia que nada do que fizesse mudaria a idéia dela!
Quando meu pai chegou, ela deu o ultimato: “Amanhã pode levar as gatas e os filhotes embora, porque aqui eu não quero mais! Troquei as roupas de cama hoje e a Mônica me enfia todos nas cobertas, quando cheguei no quarto, ela dormia até com rabo de gato na cara, essa foi a gota d’água...”
A noite fiquei rezando pra ela mudar de idéia e mal dormi.
Quando o dia amanheceu, levantei sem forças tamanha tristeza e minha mãe mais calma me falou: “Mônica, eu sei o quanto você gosta desses gatos, mas é muito pra gente ficar, à tarde teu pai vai levar as gatas e os filhotes num sítio. Aqui vai ficar só o Mimão e um filhote que você escolher, mas tem que ser macho”!
Escutei quieta, chorando baixinho, sabia que seria impossível mudar a situação.
Sentindo-me culpada e a pior pessoa do mundo fui lá fora com meus gatos... e qual escolher se eu queria todos? E Preta e Griza, o que seria delas sem mim e de mim sem elas?
Não me conformava, porque às vezes na vida as pessoas obrigam a gente, a dilacerar nosso próprio coração?
Olhei pra aqueles anjinhos, tão fofinhos e tão meus, qual? Chorando muito escolhi um parecido com a Griza, não era o mais lindo (se é que isso era possível de se dizer, pois todos eram muito lindos) mas era o mais chorão, sempre miando, querendo colo, era muito carente e imaginei que seria aquele que mais sentiria minha falta...
À tarde meu pai veio, disse pra eu não chorar que eles iriam ser felizes no sítio, pois iam ter mais espaço pra correr e brincar, mas não me olhou nos meus olhos, acho que foi por medo de voltar atrás na decisão.
Colocou elas e os filhotes num saco, pos no carro e levou embora, não sei quantas horas chorei com o filhote (que batizei de Tigrinho) no colo e Mimão deitado nos pés.
Uma semana depois, Griza estava de volta, mais magra e com apenas quatro filhotes (um tinha ficado comigo e um não tenho ideia onde estava), meu pai logo chegou, só me deixaram dar leite pra eles e meu pai levou de volta no sitio e nunca mais vi nenhum deles.
Aos poucos fui obrigada a me acostumar com a ausência deles e a cada dia amava mais intensamente Mimão e Tigrinho.
Uma tarde cheguei da escola, chamei Mimão e ele não apareceu, estranhei, pedi pra mãe, ela disse que não tinha visto ele. Anoiteceu e nada de Mimão aparecer... meu coração começou a ficar desesperado, ele nunca sumia tanto tempo. A noite meu pai chegou, pedi pra ir comigo procura- lo, já era escuro, chamamos e nada... fui dormir chorando.
Acordei cedinho e fui dar umas voltas pra ver se encontrava meu amadinho, pra minha tristeza encontro Mimão, na rua abaixo da minha casa, perto de um milharal, morto, completamente duro, gritei e chorei tanto que parecia que eu nunca mais ia ter lagrimas. A noite quando meu paizinho chegou, encontrou uma menina pálida e desfigurada esperando por ele, sei que ele sofria de me ver assim, mas era tanta dor que eu não conseguia me controlar.
Fomos os dois buscar Mimão e juntos enterramos ele no canto do nosso lote, meu pai estava muito triste também e chorou comigo.
“Só pode ser veneno” disse ele!
Foram semanas, pra eu não mais acordar desesperada ao lembrar dele, amava muito meu querido Mimão, ceguinho de um olho e com o rabinho quebrado!
Agora só me restava Tigrinho, que tava cada dia mais lindo e sapeca, era tão mansinho que quando eu brincava de boneca ele me deixava colocar roupinhas nele também.
O tempo foi passando e quando eu estava com uns treze anos, chegando em casa, ouvi Tigrinho miando muito alto, chamei a mãe que veio triste me dizer que ele estava dentro de um tubo e provavelmente era veneno... céus, porque era sempre assim?
Desejei do fundo do meu coração que todas as pessoas do mundo que vendiam e compravam veneno morressem sentindo a mesma dor que sente um animal ao ser envenenado.
Fui lá chamar ele e quando ouviu minha voz seus gritos aumentaram, espiei dentro do tubo, ele tentava levantar, queria vir até mim mas não conseguia, gritei e chorei de tristeza, de ódio, de pena dele.
Minha mãe ficou vendo aquilo, com uma tristeza nos olhos que eu nunca tinha visto, foi na vizinha pedir pro irmão de minhas amigas gêmeas vir lá tentar dar leite pra ele (diziam os antigos que leite era bom pra gato envenenado), já que mandar terminar de matar eu nunca admitiria, ainda tinha esperanças que ele não morresse, pior que na época não tinha veterinário nas localidades próximas, ao menos que a gente soubesse.
Quando ele chegou, saí correndo, não conseguia ficar lá pra ver ele tentar dar leitinho pro coitadinho. Assim que foi embora, meu Tigrinho estava de volta no tubo, seu olhar era só desespero e dor, estava todo molhado de leite... sentei no tubo chorando e tentando entender porque meu amor, que era tão grande, puro e intenso não poderia cura- lo, fazer parar a dor?
Seus miados foram ficando fraquinhos e depois de muito tempo ele morreu.
Fiquei horas ainda lá chorando e relembrando minha historia com eles, desde a chegada do Mimão, como encontrei Preta e Griza, minha felicidade quando nasceram os filhotes, eles brincando, o triste episódio da cama de gatos, a morte de Mimão e agora a de Tigrinho.
Vi diante de meus olhos um ciclo se fechar: VIDA e MORTE.
Infelizmente, daquela bela família felina, não me restara mais nenhum.
Quando levantei de lá meu corpo estava tão doído e cansado, era como se eu tivesse envelhecido décadas. Dei uma ultima olhada no meu amado Tigrinho, morto dentro do tubo, precisava esperar meu pai para enterrarmos o coitadinho ao lado de Mimão.
Apesar da imensa dor que sentia, agradeci por ele e todos que estiveram comigo, pelos maravilhosos momentos felizes que passamos juntos.  
Mimão e a cama de gatos ... uma história linda e triste que ficará gravada eternamente em minha alma!

sábado, 21 de abril de 2012

MIMÃO e a cama de gatos (Parte II)


Mimão, com o passar dos tempos, estava cada dia mais feliz e acostumado com a nova vida na “cidade”engordou e seu pêlo parecia, mais preto ainda!
Ele era tão engraçado e fofinho, mesmo com aquela cabeça desproporcional pro corpo e o rabinho quebrado.
Quando eu chegava em casa da escola, jogava meu material na grama e deitava gritando: “Mimão cheguei”!...  vinha que nem louco e PIMBA a cabeça dele com toda força na minha, eu amava isso nele e era sua característica, demonstrava carinho, dando cabeçada que nem bode!
Uma tarde, brincando perto de umas canas, que meu pai tinha plantado, ouvi um miadinho fraquinho, pensei estar ouvindo coisas, afinal minha mãe sempre dizia, que eu via bicho, ate onde não tinha.
Não demorou, ouvi de novo... céus, no meio das canas, um gatinho grizadinho, magro, remelento... tadinho, como veio parar ali?
Disfarcei, desci, peguei dois pratinhos, escondida da mãe e corri levar água e leite.
Mesmo tendo tomado todo o leitinho, ainda miava muito, peguei ele no colo, que se aconchegou e logo dormiu.
Passado uns minutos, o que  vejo?... no prato de leite vazio, um do mesmo tamanho, só que preto, devia ser seu irmãozinho, sem duvidas, aquele era meu dia de sorte!
Desci pegar mais leite e passei horas com eles lá nas canas...
Enquanto olhava os fofos, dormirem no meu colo, pensei na minha mãe, a  reação que teria e o que Mimão ia fazer quando os visse... resolvi deixa- los escondidos por lá mesmo, até pensar em como ficar com aqueles queridinhos.
Minha mãe não viu primeiro os gatinhos, mas sim, os pratinhos perto das canas... quando ouvi minha mãe, chamar meu nome completo, num tom mais alto que o normal, gelei... naquele dia, eu ouvi na íntegra, o verdadeiro sermão da montanha!
A noite chegou e com ela o amado do meu pai, eles acabaram discutindo... eu não entendo até hoje, como alguém pode, se estressar tanto, por causa de dois anjinhos...
Depois de muito bate boca, eu no quarto chorando que nem louca, chegaram a conclusão: "Ou ficavam com os gatos ou matavam a Mônica"... pra minha sorte, escolheram a opção gatinhos.
No dia seguinte, nem precisei apresentar, os dois novos membros da família pro Mimão, quando fui lá fora, ele já estava nas canas deitado, aonde batia sol e os gatinhos brincando perto dele.
Quando já estavam maiorzinhos, eu estava lá fora com um dos gatinhos no colo, meu pai resolveu ver se era macho ou fêmea... aborrecido viu que eram duas fêmeas, pediu pra mim não contar pra mãe a nossa descoberta, ela não iria gostar.
Na minha casa, cada vez que eu adotava um animalzinho, era uma guerra e fêmea então, nem pensar. Meus pais sabiam que quando elas ganhassem filhotinhos, eu não daria nem por decreto, então nunca nascia gatinhos ou cãezinhos na minha casa, naquela época.
Muitos meses depois, era muito tarde da noite, ouvi gatos brigando a noite toda, espiei pela fresta da janela  e vi que era Mimão, Preta e Griza, fiquei triste, eram tão amigos...
Algumas semanas depois, elas começaram a ficar gordas e pesadas, eu nem tinha percebido, mas minha mãe viu e falou furiosa: “Não acredito! Bem que eu estava desconfiada da cara do teu pai, quando pedi pra ver se eram macho ou fêmea e ele falou sem jeito: 'Parece macho'!...  tá aí o resultado, as duas grávidas"... e saiu brava, entrando em casa e batendo a porta.
Grávidas? Céus, como podia? Na época era tão inocente, que nem associei a noite de briga, com um possível romance.
As barriguinhas delas estavam enormes e já não queriam mais que eu as pegasse no colo, então passava horas com Mimão dormindo nas minhas pernas, sentada ao lado das duas na grama.
Meu pai arrumou no paiol, caixas de papelão e colocou panos dentro, pra elas se aninharem, na hora de terem os filhotinhos.
Nos últimos dias, antes da chegada dos gatinhos, enquanto elas dormiam quietinhas, eu podia ver eles se mexendo dentro delas, pra mim era novidade e ainda não acreditava, como poderia ser uma garota de tanta sorte... bebes gatinhos na minha casa, novas vidas chegando, um sonho!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MIMÃO e a cama de gatos (Parte I)


Os felinos sempre foram, uma parte constante da minha vida...  li uma vez, que um escritor francês disse: "Deus criou o gato, para que o homem tivesse o prazer, de acariciar o tigre". Bem verdade!
Fazia um tempinho que na minha casa não tinha gatos, eu estava com uns oito anos nesta época e matava a vontade de ninar eles, quando íamos para a casa da minha Nona (mãe de meu pai), que morava em Bom Sucesso.
Entre eles, tinha um que era o meu preferido e me adorava. Eu chamava ele de Mimão, um gato preto, velhinho, cego de um olho e não sei porque, uma cabeça enorme.
Quando chegamos, eu já saí correndo chamando ele e eis que aparece Mimão, com uma carinha muito triste... por pura maldade alguém, uns dias antes, havia jogado água quente nele e alem de queimado, seu rabinho estava quebrado... nem preciso escrever o quanto chorei ao ver o meu amadinho assim. Naquele dia nem almocei.
Com ele no colo, segurando com cuidado pra não piorar os ferimentos, jurei pra ele que o levaria embora comigo... mas como convencer minha mãe? Sabia que ela não gostava muito de gatos...
Corri perto do meu pai e quando tive certeza que ninguém estava ouvindo, implorei baixinho: “Pai me deixa levar o Mimão pra casa?”
Ele olhou pro gato, fez uma cara de pena e falou: “Filha, sabe como é tua mãe, ela não vai gostar da idéia”!
Passei o dia com o gato no colo, que todo doídinho, nem abria os olhinhos...
Meu pai, vendo minha angustia, com a chegada da hora de irmos pra casa, (juro, nunca alguém vai saber tanto o que se passava dentro de mim, quando o assunto era bicho, do que ele, que sempre preocupado, me aconselhava: “Filha, nunca ame mais os bichos, do que gente”), veio ate a pedra onde eu estava sentada, abraçada com o Mimão, me piscou e disse com um olhar de cumplicidade: “Se prepara, que vou falar pra tua mãe, que vamos levar o gato”...céus, como não amar o meu pai?
Fiquei tão feliz, que sem querer apertei o coitadinho, que reclamou de dor, abrindo os olhinhos e miando baixinho...
Via de longe a cena, com o coração aos pulos, mas não ouvia direito o que conversavam. Meu pai falando, minha mãe gesticulando nervosa e minha Nona, vindo na porta da casa, secando as mãos numa toalha. Todos falavam e olhavam pra mim... meu pai com cara de dó, minha mãe me fuzilando e fazendo um gesto com a mão de “te pego em casa mais tarde” e minha Nona tentando apaziguar, dizendo algo assim:” Já que ela quer um gato, que escolha um mais bonito...” eu que, ate então, tava me fazendo de morta, só nesta hora, timidamente me manifestei gritando: “Não Nona, eu quero esse”!
Meu pai, todo se desviando dos olhares furiosos da minha mãe, foi procurar uma bolsa pra por o gato.
No carro, ele veio miando alto, dentro do capo do fusca, tadinho, eu vim sem dar um pio. Confesso que na minha felicidade de ter o Mimão, todos os dias comigo, nem prestava muita atenção no discurso que minha mãe vinha fazendo: “Lá em casa eu não mando mais nada mesmo, onde se viu trazer o gato, se fosse bonito ainda e nem pense em deixar ele entrar em casa...” e por aí foi a estrada toda!
Em casa eu e meu pai pegamos o saco com cuidado e fomos trancar ele no velho paiol, já tava escuro e ele poderia fugir e se perder.
Arrumei uns pratinhos de leite e água, me despedi do fofinho, desejando a maior noite de sono da vida dele, afinal ele estava comigo.
Deitei, mas o sono demorou a chegar. 
Não sei por que, mas sempre que sabemos, que no dia seguinte seremos abençoados com novidades, as noites se tornam mais longas, deve ser pra que a gente possa preparar o nosso o coração, pra suportar tanta emoção.
Fiquei desejando dormir logo, que o dia amanhecesse depressa e eu pudesse mostrar a ele minha casa, que a partir daquele domingo, seria também pra sempre sua.
Mas fiquei ainda, por muito tempo acordada, bem quietinha, com o coração numa felicidade imensa,  ouvindo os miados angustiados do Mimão dentro do paiol, misturados aos sons do meu mundo...


domingo, 8 de abril de 2012

MAX o cão com lábio leporino (Parte Final)


A viagem até a faculdade em Caçador, pareceu surreal... ainda não conseguia acreditar na surpreendente forma que descobri tudo sobre aquele misterioso cão chamado Max!
A mulher ainda abalada pela triste notícia, emocionada me contou: “Max era do meu marido, ele nasceu com lábio leporino, como a fissura era somente externa a gente acabou não levando no veterinário para operar (finalmente estava explicado porque tinha o fuço estranho e seus dentes ficavam sempre a mostra), disse também que ele era muito querido, calmo, brincalhão e tinha em torno de sete meses. Seu marido era bombeiro voluntário e ela trabalhava fora, como ele ficava muito tempo sozinho e eles moravam em frente a uma rua muito movimentada, resolveram dar ele e acabaram dando para um rapaz que morava em Iomerê, que ia deixa- lo amarrado no pátio de uma fabrica.”
Chegamos a conclusão que ele de alguma forma se soltou e veio parar na minha casa.
Céus, nem poderia em palavras expressar o tamanho da minha indignação ao ouvir tudo isso... se tivessem me dado dois dias eu teria achado não só seu atual, mas seu ex- dono também. Por apenas dois dias ele foi cruelmente morto, sem ter feito absolutamente nada pra merecer tamanha injustiça.
Queridinho, quando lembro de seus olhinhos atentos e curiosos me cuidando, cada vez que eu o espiava na janela, sinto um sufoco... apenas dois dias...
Sei que contando esta historia envolvo muitas pessoas, não cito nomes, mas provavelmente muita gente ao ler, vai recordar, pois apesar de ter sido “proibida” por meus pais de denunciar o que aconteceu, eu não me calei e critiquei muito a atitude da veterinária.
Lembro que algumas pessoas me disseram: Não fica triste assim, ela fez achando que era a melhor solução, pense em quantos animais ela não ajudou a salvar?”
Este tipo de comentário fazia com que sentisse mais raiva ainda... ”Hunf... melhor solução o que... e os que ela ajudou a salvar, não fez mais que a obrigação, afinal seu juramento de veterinária foi pra isso não"?
Muitos anos depois em abril de 2010, o destino me pôs frente a frente com a veterinária, novamente a situação envolvia um cão, que fora abandonado e se “abancou” no pátio da escola (esta historia contarei em outro momento).
Neste dia pude lhe dizer TUDO o que estava engasgado, minha tristeza, raiva, frustração, pela atitude dela no passado e que causou a morte do cão Max.
Ela me ouvia indignada, tentava se defender dizendo que jamais poderia imaginar que eu iria descobrir quem era seu dono, se ela que conhecia todas as residências do interior, nunca tinha visto ele. E que não sabia que ele era dócil, já que ficava sempre mostrando os dentes... ora por favor... eu ser leiga sobre lábios leporinos em animais vá lá, mas ela, uma veterinária? Me poupe!
Ficamos discutindo por mais de uma hora no pátio da escola e não chegamos a um consenso... eu a acusava de ter assassinado ele, ela achando mil desculpas e frases feitas se julgando a certa!
Hoje ela não trabalha mais no meu município, mas sei que fez muitas amizades por aqui e de vez em quando vem visitá-los. Eu, se a vejo, faço de conta que não a conheço...
Quem ler a historia de Max deve estar se perguntando, porque recordei  tudo isso ao ler a caluniosa lista de abaixo - assinado que circulou na minha cidade, com o intuito de destruir minha casa- de- passagem e todo meu trabalho de voluntária que a anos me dedico por puro amor, movida por pessoas que definitivamente não gostam de animais... sim, porque se gostassem e realmente me conhecessem e tivessem olhado uma única vez dentro dos olhos dos animais que foram abandonados e que abrigo em minha casa ate serem adotados, NUNCA teriam coragem de assinar tamanho absurdo que esta escrito.
Relembrei simplesmente porque, uma das assinaturas que esta na lista é do rapaz que tinha adotado o Max... na verdade minha família não se da com a família dele a anos e mesmo não tendo nada pessoal contra ele,  nunca se quer conversamos sobre o que aconteceu com o cão, mas imagino que ele deve, de alguma forma ficado sabendo.
Enfim... creio que se tivesse tido um pingo de consideração pelo meu sofrimento com a morte daquele pobre cão, quem sabe não teria assinado também... mas vá saber né? 
Cada pessoa é responsável pelas suas atitudes, no caso EU por recolher cães abandonados e dar a eles uma segunda chance na vida de serem amados, ELES por se sentirem "solidários" ao que o casal de vizinhos que acusam no processo que moveram e no abaixo assinado que fizeram (barulho e mau cheiro) e que por  São Francisco, vou provar pra todo mundo que é calunia...
Para o querido cão Max, infelizmente NADA mais poderá ser feito, mas por esses que cuido SIM, então que a justiça realmente se faça “justa” e julgue quem esta certo... EU ou ELES!